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Assédio Sexual

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Assédio Sexual

Mensagem  sofia_ferreira2002 em Dom Maio 27, 2018 9:38 pm

O assédio sexual é um tema muito abordado atualmente, principalmente este ano por causa das estrelas de Hollywood.
As mulheres são um alvo maior, embora já se fale também em assédio sexual a homens.
Como nas mulheres é mais comum vou me focar nisso para falar.
Dentro deste tema ouve-se imensas coisas desde: "Não devia usar uma saia tão curta!", "Não devia sair sozinha a esta hora." ou no cúmulo das coisas "Depois queixam-se que são assedias ou mesmo violadas, se vissem como se vestem!". Isto é absurdo as mulheres podem vestir o que querem, sair quando querem sem terem medo da própria sombra, a sociedade mete as culpas em quem não deve porque os homens têm de se saber controlar perante as pessoas, porque as mulheres têm exatamente o mesmo direito de sair que os homens têm sem ter de olhar 4 vezes para trás em 10 metros.
As mulheres querem poder sair de casa as 18:00h, 19:00h, 23:00h, 04:00h, com a mesma confiança, determinação e coragem porque era isso que devia acontecer, deviam poder sair com a roupa que queiram sem se preocupar com uma sociedade que se acontecer algo, em vez de as ajudar as vai culpar e apontar o dedo.
Mas o assédio não é só quando as mulheres vão sair, também acontece no próprio local de trabalho! Sim, é verdade, parece impossível mas no trabalho. No sítio onde passamos a maior a parte do nosso dia e que nos devíamos sentir bem.
O assédio é um tema muito delicado e que precisa de ser cuidadosamente discutido para, a nível mundial poder ser mesmo extinto, porque já é tempo disso!

Agora para mostrar um pouco os números do assédio no trabalho vou anexar um vídeo sobre este tema.

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Vulgarizaram o assédio

Mensagem  2016.cabral em Dom Set 16, 2018 4:59 pm

Podia estar aqui a explicar o que é assédio sexual ou o porquê da necessidade o parar, mas tornou-se um assunto tão vulgar que afirmar que não reconhecem este problema passa a ser absurdo. Eu sou mulher e posso dizer com quase toda a firmeza que todas nós, mesmo sendo adolescentes, já passamos por situações desconfortáveis em que nos sentimos um pedaço de carne no meio da rua.
Desde daquela carrinha que passa todos os dias pela tua paragem a apitar com 6 homens lá dentro da idade do teu pai a gritar "Boa", entre outros adjetivos muito mais marcantes, até aquele dia em que um carro parou à tua beira e baixou o vidro e tudo o que tu soubeste fazer foi correr e ligar a alguém... Chegar a casa, deitar no chão a chorar com a ideia na cabeça de tudo o que podia ter acontecido se não tivesse estado num sítio com pessoas por perto, a ideia sequer passar pela cabeça... do meu corpo a ser usado ali na rua, uma rosa pura ainda por crescer, a perder a sua inocência toda nas maõs de um errado. Mas sou das sortudas, certo? Aquela a quem nunca realmente aconteceu algo, mas e as milhares raparigas que tiveram que sentir na pele a dor de ser um objeto? E as outras milhares que guardaram para si e acumularam uma raiva tão grande que quando o ponto de quebra for o suicídio ninguém entende o que aconteceu!?!
Só a ideia... A ideia, a imagem, a memória de caras estranhas na rua assombrou-me durante meses, meu pior medo tão perto de mim. E se aquela mulher não tivesse na rua naquele momento do dia? O que teria acontecido?
Para além disso, a sensação de posse de um homem. Estava eu certo dia a caminhar pelas ruas de Gaia, sozinha, nomes aleatórios no ar, senti a necessidade de me esconder. Caminhei rápido, puxei a saia ainda mais para baixo para não mostrar demasiado a minha coxa mesmo estando com meias de vidro pretas, meto os braços em redor do meu peito para o esconder, mesmo sabendo que não iam ver pele. Não quero que vejam a minha forma, talvez assim me deixem. Caminhei, pensei: Será a minha roupa? Mas porque devo eu modificar o meu estilo para os homens não olharem? Não estava a mostrar pele quase nenhuma, mas só as curvas do meu corpo, só isso me fez ter nojo de mim. Por um segundo esqueci-me que a culpa não era minha. Depois, voltei a passar por aquele local para ir embora, mas desta vez com o meu namorado com os braços em meu redor... Fiquei confusa, porquê que agora ninguém afirmar nada? Um homem a meu lado... Será a única maneira de me sentir segura neste mundo? Não entendo, terei dado a sensação de fragilidade?
Segunda história: Domingo de manhã, acordei às 8 da manhã para ir à missa com o meu pai, um dia tão lindo lá fora, o quente de verão a tocar na minha pele... Estava feliz, o dia parecia uma nova oportunidade. Sentei-me, ao meu lado sentou-se um senhor... O que sucedeu partiu-me o coração. Sentado, a olhar para mim, virado para mim, mão demasiado perto, a outra a tocar-se por fora das calças. Senti-me desconfortável, como explicar que me deixa desconfortável o facto de estar com os seus olhos no meu peito enquanto apenas quero ouvir o sermão do padre? Idade do meu avô, pedi a Deus para ele parar. Pare de olhar, mão demasiado perto da minha perna, outra nas suas calças, não consigo me conformar. O meu pai, atento ao que estava a acontecer, quando chegou a hora de levantar agarrou com força em mim e puxou-me para outro lugar. Nojo eu senti, apenas queria ouvir. Lembro-me de questionar de novo a minha roupa, cheguei a casa e tomei banho. Não tocou, mas senti que sim. Nojo eu senti do meu corpo, porquê? Camisola de manga comprida em pleno verão até, mas lá está, estava a forma do meu peito e isso fez-me sentir como um objeto de novo.
Nós, mulheres, habituamo-nos a isto todos os dias e assumimos isto como algo normal. Olhar, as bocas, às vezes até o toque que nós não queremos. O pequeno toque na perna como quando fui sair com as minhas amigas e aquele rapaz de 20 anos a tentar me conhecer, eu disse que não e ele tocou como se tivesse autoridade. Não falamos nada, temos medo, não sabemos o que nos podem fazer. Limito-me a sair daquele local. Ou quando vou a um café e vejo o cliente a tocar discretamente na funcionária, vejo a dor na cara da mesma, mas não diz nada. Lágrimas nos meus olhos, será isso o meu futuro?!? O futuro da minha filha? Conformar-me com tudo ao meu redor? Aceitar como normal? Nojo eu sinto sempre que vejo o meu corpo sendo visualizado como um objeto, medo de falar, mas creio que está na hora de quebrar o silêncio.

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