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WWRY : Weapons by Our Side

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WWRY : Weapons by Our Side

Mensagem  Mariana Couto em Dom Maio 12, 2013 12:23 pm

A música que vou partilhar chama-se Weapons by Our Side, é dos Touch Of God, e ainda não faz parte de nenhum álbum.
É o primeiro original da banda, e a sua letra é da autoria do guitarrista e vocalista da banda Pedro Ribeiro.
Foi apresentada pela primeira vez ao vivo no Auditório da Lousada (vídeo apresentado abaixo), e foi ainda tema de abertura do Concerto : "Mostra que tens talento", realizado no Colégio Internato dos Carvalhos.



Weapons by our side

Seeking no fame or glory
we feed the fires of war with our flesh
lives that were once so simple
Come to total disgrace
Everyday we say goodbye
to a fallen brother
Insurgents are everywhere
but no where to be seen

Seconds of sheer madness
as bullets rain and bodies fall
I'll never forget their faces
why were they so afraid to

Die
and the tears I forget to
Cry
for the lives taken
Why
Are we prepared to
Die
with weapons by our side

Sights of coffins fill my mind
Flags cover this grim sight
weeping families on the other side
no comfort found in Purple Hearts
is this really all for freedom
are we trading blood for oil?

My enemy sees my eyes
suffering he desires
time to fight time to die
rage burns my mind

The fighting is not over
we are hated everywhere we go
the people we try to free
spits on our face
Sometimes we all wonder
if it's not all in vain
Fanatical religion
clouds their sanity

Using children as living cover
turns these soldiers into beasts
I'll never be able to grasp
Why they're not afraid to

Die
They don't even seem to
Cry
for their lost children
Why
do they Them let them
Die
With weapons by their side

Para mim, esta música, mais do que uma forte crítica à guerra (que também o é), é acima de tudo uma crítica ao regime militar, aos seus ideais e às consequências que estes têm nos soldados.

Logo nos primeiros versos é criticada a mentalidade militar: o dever de servir a pátria com o próprio corpo, sem esperar nada em troca:

"Seeking no fame or glory
we feed the fires of war with our flesh"

Nos versos seguintes é criticada a escolha feita por aqueles que enveredam pela carreira militar e seguem para a guerra, pois essa escolha é encarada como um enorme erro:

"lives that were once so simple
Come to total disgrace"

Seguidamente a crítica já é feita ao que acontece durante a guerra: as mortes que acontecem todos os dias, mas que parecem não incomodar ninguém.

Numa primeira estrofe, mais descritiva, é relatado o ambiente vivdo em guerra:

"Everyday we say goodbye
to a fallen brother
Insurgents are everywhere
but no where to be seen"

Já no refrão a ideia a transmitir é a mesma, mas desta vez esta é demonstrada sob a forma de reflexão, recorrendo a várias perguntas totalmente retóricas:

"Seconds of sheer madness
as bullets rain and bodies fall
I'll never forget their faces
why were they so afraid to

Die
and the tears I forget to
Cry
for the lives taken
Why
Are we prepared to
Die
with weapons by our side"

Na seguinte estrofe é descrito o regresso a casa dos soldados, que ocorre maioritariamente dentro de caixões. Sempre de uma maneira bastante sarcástica é descrito o ambiente de um funeral, em que nem depois de um soldado ter morrido se mostra algum respeito, mas sim a mesma velha ilusão do dever da defesa pátria, representado pela bandeira, que voa ao vento e ofusca por completo a família em luto:

"Sights of coffins fill my mind
Flags cover this grim sight
weeping families on the other side
no comfort found in Purple Hearts "

Depois de ter descrito este cenário de morte, o autor interroga-se, mais uma vez retóricamentre, se os ideais (de luta pela liberdade) defendidos pelo exército serão verdadeiros, ou se a guerra não passará de um grande jogo (no qual se perdem verdadeiras vidas) de interesses financeiros:

"is this really all for freedom
are we trading blood for oil?"

Na seguinte estrofe, o autor, como que volta novamente ao cenário de guerra e relembra com revolta a "sede de sangue" que via constantemente na cara dos soldados, e a satisfação que os inimigos tinham na luta, na (sua) morte:

"My enemy sees my eyes
suffering he desires
time to fight time to die
rage burns my mind"

Nos seguintes versos é demonstra o clima pós-guerra, em que apesar da luta com o inimigo já ter acabado, há agora um confronto com a população que não aceita a que a solução passe pela guerra, e pela morte, quer de soldados, quer de crianças inocentes:

"The fighting is not over
we are hated everywhere we go
the people we try to free
spits on our face"

"Using children as living cover
turns these soldiers into beasts "

Mais uma vez, o autor interroga-se acerca dos ideais do regime militar: valerá mesmo a pena sacrificar a vida dos soldados?
Culpando desta vez. o fanatismo religioso, defendendo que este se sobrepõe a tudo, até mesmo à perda de várias vidas.

"Sometimes we all wonder
if it's not all in vain
Fanatical religion
clouds their sanity"

No final, são colocadas mais algumas perguntas retóricas, similares às do refrão, que reforçam a ideia da revolta contra as mortes, encaradas quase como algo banal pelos soldados, que ocorrem diariamente durante a guerra:

"I'll never be able to grasp
Why they're not afraid to

Die
They don't even seem to
Cry
for their lost children
Why
do they Them let them
Die
With weapons by their side"
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Re: WWRY : Weapons by Our Side

Mensagem  Pedro_ToG em Dom Maio 12, 2013 3:09 pm

Em jeito de introdução/resposta digo: "Olá. Pedro Ribeiro dos Touch of God deste lado Smile "

Em primeiro lugar, gostaria só de agradecer-te Mariana pela atenção que deste ao nosso original e fico bastante satisfeito que tenhas gostado da musica.
Em segundo lugar, gostei da tua interpretação da letra pois consegui o objectivo que pretendia quando a escrevi. O objectivo da reflexão pessoal!
Dentro desse espírito, gostava então aqui de revelar em jeito de "behind the scenes" o que entrou em jogo quando escrevi essa letra.

Como todas as músicas dos Touch of God, começamos SEMPRE por escrever a música primeiro e só depois a letra e logo desde o início a música sempre teve a sonoridade tenebrosa como a conheces agora e ficou entendido entre nós que o tema a falar seria efectivamente o tema da Guerra. Ainda não sabíamos muito bem o que fazer com ela mas decidimos que o ideal seria procurar pela internet informações,histórias e mais importante ainda relatos pessoais.

Tive a grande sorte de encontrar na internet um relato de um sargento francês chamado Christophe Tran Van Can que esteve vários meses no Afeganistão na altura do pós-ataque ao World Trade Center

Neste relato, o Sargento fala inicialmente do seu compromisso para com o seu país e a luta contra o terrorismo sem procurar fama ou glória, fala da sua chegada de helicoptero ,que retratamos com as batidas marciais da bateria e delay da guitarra, (que nao se ouvem muito bem na gravação e apelo portanto à tua memoria! Smile ) o seu sofrimento durante vários meses a ver amigos e colegas a perecerem no campo de batalha, muitas vezes sem saber muito bem de onde vieram os tiros, por aí fora...

Enquanto o conflito se vai desenrolando, este sargento apercebe-se cada vez mais de alguns pormenores algo interessantes.
Por um lado, despreza o inimigo com tanto fervor quanto o inimigo o detesta, pois apesar de estar numa suposta missão de libertação, encontra resistência e desprezo mesmo por parte da população civil.
Começa a aperceber-se que várias vidas se perdem e em troca a única coisa que se "recebe" são as medalhas "Purple Heart" que sao atribuídas as famílias dos soldados que falecem em batalha.
No calor da batalha consegue ver a cara dos seus atacantes sem qualquer medo e desprovidos de qualquer emoção. Não mostram qualquer compaixão ou medo, chegando até ao cúmulo de usarem crianças como escudos e surpreende-lhe o facto de estes homens ,que anteriormente encarava como soldados, são na verdade monstros pois a atrocidade de usar crianças para "salvar a própria pele" é algo completamente "não-humano" e quase demónico.



Durante todo este derramamento de sangue e todo este conflito, a comunicação faz o seu "trabalho de casa" falando na possibilidade de toda esta guerra ser afinal um pretexto para o controlo de mais petróleo. Daí a sátira criada no verso "are we trading blood for oil?"

No refrão o que tentei fazer foi criar alguma antítese mudando algumas palavras mas mantendo a sua estrutura. Numa primeira parte temos a visão do Sargento nas suas acções e dos seus homens. As lágrimas que não chora pelas vidas que tira.
No ultimo refrão temos o oposto. As lágrimas que os seus opositores não choram pelas vidas inocentes que usam para atingirem os seus fins.


Espero que tenhas gostado de ler esta explicação da letra e agora deixo um spoiler:

Esta música faz parte de um conceito maior. O nosso primeiro demo (que deverá estar acabado em finais de junho/julho) será na verdade um mini-concept album de que esta música fará parte. Tocaremos ao vivo isto no dia 19 de Outubro deste ano em Lousada pelo que fica aqui já em exclusivo no vosso fórum, o que podem esperar se forem assistir!

Cumprimentos!!

Pedro_ToG
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Re: WWRY : Weapons by Our Side

Mensagem  Mariana Couto em Dom Maio 12, 2013 10:43 pm

Em primeiro lugar, bem-vindo ao ULNC!!
(falando em nome de todo o fórum) ficamos todos muito contentes por ter um letrista (e guitarrista também) como tu agora entre nós! Smile

Não tens nada que me agradecer, eu é que tenho de vos agradecer por me terem incentivado a escrever esta rubrica, quando a ensaiaram no dia do concerto (sim eu já andava com vontade de a fazer desde essa altura, só que apenas descobri a letra há pouco tempo...)

Quanto à tua partilha do "true meaning" da música:

Obrigada por teres vindo cá para dares a conhecer a verdadeira história por detrás desta música. Foi uma lição de História (muito interessante!), e algo inédito na história da WWRY! Smile (o confronto interpretação do leitor <-> interpretação do autor).
Gostei muito (não só por mim que adorei descobrir o que o autor da música pensou quando a escreveu "pessoalmente"), mas também pelos outros utilizadores, pois penso que foi para eles algo interessante que serviu para provar que a arte é a coisa subjetiva do Mundo!

Ainda dentro da tua partilha:

Quando falaste das "batidas marciais da bateria e delay da guitarra (que nao se ouvem muito bem na gravação e apelo portanto à tua memoria! Smile )" achei curioso porque foi mesmo essa intro de bateria que me fez ficar "agarrada" à música no ensaio (e não ir logo embora xD) porque me pareceram estar a imitar uma marcha (não andava assim tão longe, afinal sempre tinha alguma coisa a ver... :p)

Quanto ao teu spoiler, (agora não posso falar pelo fórum, mas falo por mim), e vou ser muito sincera, tenho muita pena, mas não sei se vai dar para ir até Lousada em Outubro Sad, mas espero que o vosso "sonho" se realize e que consigam avançar com o dito "mini-concept album" e aí espero ter muitas mais oportunidades de vos ver atuar!! (e já agora obviamente que também o irei comprar!) Wink

Well,
Obrigada por te teres juntado a nós, se quiseres continuar a participar (aqui ou noutros temas) creio que já estás devidamente informado... Smile
Caso não queiras, peace n' love, e foi para nós um prazer ter um Touch of God a participar no nosso fórum!! \m/

(agora sou eu que digo xD) cumprimentos e muita sorte para toda a banda!! Wink
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Re: WWRY : Weapons by Our Side

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